domingo, 2 de junho de 2013



© ssobrado, lisboa, 2013 | reminiscências







      Eu não tinha este rosto de hoje,
      assim calmo, assim triste, assim magro,
      nem estes olhos tão vazios,
      nem o lábio amargo.
      Eu não tinha essas mãos sem força,
      tão paradas e frias e mortas.
      eu não tinha esse coração
      que nem se mostra.
      Eu não dei por esta mudança,
      tão simples, tão certa, tão fácil:
      em que espelho ficou perdida
      a minha face?

      Cecília Meireles






quinta-feira, 18 de abril de 2013


© ssobrado, lisboa, 2013 | silêncios





... mas é sempre difícil chegar ao âmago das coisas através das palavras.

Etty Hillesum, in Diário 1941-1943







segunda-feira, 1 de abril de 2013



© ssobrado, lisboa, 2013 | ruas distantes



Nick Cave & The Bad Seeds | Jubilee Street




(...) ele sabe para onde vai. cada rua. ele caminha.
nas ruas distantes que tem dentro de si.
eu vejo perder-se. (...)

José Luís Peixoto, in 'A Casa, a Escuridão'






quinta-feira, 31 de janeiro de 2013



© ssobrado, terezin, 2010 | sob o sol



'A miséria impediu-me de acreditar que tudo vai bem sob o sol e na história. O sol ensinou-me que a história não é tudo.' 
A. Camus, in O Avesso e o Direito





quarta-feira, 30 de janeiro de 2013




© ssobrado, terezin, 2010 | o dever da memória




‘Aprendi a ver viver os homens que não pensam.' 
David Rousset






terça-feira, 22 de janeiro de 2013



© ssobrado, terezin, 2010 | zona cinzenta


A «zona cinzenta» é aquela onde o bem e o mal não estão nitidamente delimitados, onde as vítimas e os seus perseguidores se encontram por vezes do mesmo lado, o dos prisioneiros. (...) O interior dos campos era um microcosmos intricado e estratificado; a ‘zona cinzenta’, a dos prisioneiros que, em qualquer medida, se calhar mesmo por bem, colaboraram com a autoridade, não era estreita, pelo contrário, constituía um fenómeno de importância fundamental para o historiador, o psicólogo e o sociólogo. Não há prisioneiro que não se lembre disso, e que não se lembre do seu espanto na altura: as primeiras ameaças, os primeiros insultos, as primeiras pancadas não provinham dos SS, mas sim de outros prisioneiros, de ‘colegas’ daquelas misteriosas personagens que no entanto vestiam a mesma túnica às riscas que eles, os recém-chegados, acabavam de envergar.
Primo Levi, in O Dever da Memória